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sexta-feira, 2 de maio de 2025

Camapuã - Tucum - Cerro Verde - Camacuã - 2 e 3 de Maio de 2025

 Depois de um bom tempo tentando conciliar as agendas, finalmente deu certo. Destino escolhido, mochilas prontas, e lá fomos nós — Rubens, Lucas e eu — rumo a mais quatro cumes.

 

Partimos bem cedo, com as mochilas bem carregadas, pois passaríamos a noite na minha montanha preferida: o Cerro Verde. Saímos da fazenda seguindo a trilha pela mata, passamos pela árvore gigante, último ponto de água, e chegamos à bifurcação Camapuã/Ciririca. 

Logo deixamos a mata e encaramos o sofrido paredão do Camapuã. Paramos para um lanche rápido e para repor as energias, pois sabíamos que o paredão judia — e não foi diferente. Uma subida interminável, ainda mais com o peso das mochilas cargueiras. Mas, enfim, chegamos ao primeiro cume do dia: o Camapuã.


Dali seguimos para o Tucum e, sem muita demora, alcançamos o segundo cume do dia. Após um breve descanso, iniciamos a descida em direção ao Cerro Verde. Antes disso, atravessamos um vale que, na minha opinião, tem um dos visuais mais lindos da Serra do Mar. Dali é possível avistar montanhas como Itapiroca, Cerro Verde, Luar, Ciririca e o imponente Pico Paraná.

Seguimos pela trilha até chegar à descida mais tensa da travessia: íngreme, escorregadia e técnica. Com muita calma e atenção, conseguimos finalizar a descida e alcançar o vale, onde reabastecemos a água.

A essa altura, já estávamos caminhando há mais de cinco horas, e o peso das mochilas começou a cobrar seu preço — especialmente para o Rubens, que carregava uma hiper mochila: além dos equipamentos de montanha, levava câmera profissional, drone e, pelo peso… imagino eu que algumas pedras e tijolos também 😂.

Mesmo com o ritmo mais lento, chegamos ao cume do Cerro Verde. Como sempre, um visual incrível.

Livro de cume assinado, barraca montada, boas conversas, muitas fotos e um ótimo jantar. 

 

Fomos dormir cedo para acordar antes do amanhecer e assistir ao nascer do sol atrás do Pico Paraná.

Estávamos sozinhos no cume, o que garantiu uma noite tranquila, silenciosa e cheia de paz.

Na hora do retorno, encontramos pelo menos seis grupos subindo para acampar no Cerro Verde. Uma montanha que, até pouco tempo atrás, recebia poucos visitantes. O curioso é que o cume não comporta mais que três barracas — não sei onde tanta gente pretendia ficar.

Passamos novamente pelo vale, subimos o Tucum com calma e, já no Camapuã, decidimos descer por outra trilha, passando pelo quarto cume da aventura: o Camacuã. Paramos ali para almoçar e, de barriga cheia, seguimos pela nova trilha — longa, bonita e bem tranquila.


Chegamos à fazenda em ótimo estado, já prontos para a próxima trilha.

Agradeço a Deus por mais essas quatro montanhas e também ao amigo Rubens e ao meu filho Lucas, pela parceria em mais uma grande aventura.

Por: Josimar Cubis

Fotos: 








sexta-feira, 31 de maio de 2024

Rapel Anhangava - 31 de Maio de 2024

E lá fomos nós para mais uma aventura de rapel no Pico Anhangava, dessa vez com a excelente companhia do amigo Rodrigo Negrini e de seu filho Pedro de 8 anos, que queriam experimentar pela primeira vez a emoção do rapel.

Saímos de casa bem cedo e, logo pela manhã, iniciamos a trilha. 

 

Todos estavam andando bem e, sem demora, chegamos às primeiras pedras, aos grampos e, em seguida, ao cume. 

 

Fizemos um lanche rápido e retornamos até a área dos grampos, onde montamos as amarras e as linhas de rapel.

 

O dia estava perfeito. Descemos a parede várias vezes, e o Negrini com seu filho logo perderam o medo e se soltaram, descendo repetidas vezes com confiança e muita empolgação.


Ficamos por ali até por volta das 14:00 e então começamos a retornar para a base. Antes, porém, ainda demos um pulinho para ver o rio e a cachoeira.


E foi assim: mais um dia de aventura, vivido ao lado de pessoas incríveis, que fazem toda a diferença na experiência.

Por Josimar Cubis

Algumas Fotos: 

 













 

 

sábado, 27 de abril de 2024

Escalavrado - Serra dos Orgãos - RJ - 27 de Abril de 2024

 

Depois de três dias de travessia e de uma noite de descanso, chegou a hora de mais montanha.

Dessa vez, o escolhido foi o Escalavrado, imponente montanha ao lado do Dedo de Deus. Desde 2015, quando passamos pela BR-116 e vimos esse conjunto de montanhas, nasceu a vontade de escalar nessa região. Depois de 10 anos sonhando, finalmente chegou o dia.


Acordamos cedo, tomamos café da manhã em uma panificadora e, sem demora, partimos para o início da trilha. Após cerca de 30 minutos caminhando pela beira da BR, chegamos à entrada, que já nos primeiros metros se mostrou desafiadora: subidas muito íngremes e bastante exposição.

Caminhamos cerca de 15 minutos até chegar ao primeiro grande desafio: atravessar de um lado ao outro de um trecho horizontal, com um precipício logo abaixo. Para nossa sorte, encontramos um grupo que também estava subindo o Escalavrado. Sem hesitar, ofereceram ajuda e usamos a corda deles para vencer esse obstáculo. Pessoal extremamente gente boa, cariocas de Guapimirim. Boas conversas, e acabamos nos juntando a eles na subida.

 

 

Por cerca de uma hora conseguimos acompanhá-los, mas o ritmo deles era mais forte que o nosso e logo seguiram à frente.

Um passo de cada vez, uma subida por vez, fomos vencendo os desafios. Ao nosso lado já era possível ver a outra face do Dedo de Deus, montanha que ocupa o topo da nossa lista de sonhos. Seguimos subindo, porém cada vez mais lentos: subida muito forte, calor intenso e percebemos que estávamos com pouca água, o que nos obrigou a racionar.


Em vários trechos era necessário o uso de cordas, tornando a progressão ainda mais cansativa e lenta. Sabíamos que o desafio ainda estava longe do fim, pois as partes mais expostas e difíceis ainda estavam por vir.

Foi então que vimos um montanhista descendo a montanha. Para nossa surpresa, era o Luciano, de Guapimirim, o mesmo que encontramos no início da trilha.

O que aconteceu em seguida foi, sem exagero, um dos gestos mais incríveis que já presenciei em todos os meus anos de montanhismo.

O Luciano já estava quase no cume, mas ficou preocupado conosco e decidiu voltar para nos ajudar. Que ser humano iluminado Deus colocou em nosso caminho. Com extrema atenção e paciência, ele nos conduziu pelos trechos mais difíceis, sempre com um cuidado especial com o Luquinhas. Emprestou equipamentos, deu dicas valiosas e, de subida em subida, de corda em corda, fomos vencendo os obstáculos.

Luciano guiando o Lucas

Mais à frente, reencontramos o restante do grupo do Luciano. Todos foram extremamente atenciosos conosco. E assim, depois de cerca de 5 horas, conseguimos chegar ao cume do Escalavrado.


As lágrimas vieram aos olhos. Uma mistura de sentimentos:

— Acima de tudo, gratidão a Deus por viver aquele momento ao lado do meu filho Lucas e do meu grande amigo e irmão Luís. 

— alegria por finalmente estar ali depois de tantos anos sonhando;

— profunda gratidão pelas pessoas incríveis que encontramos no caminho;

— admiração pelo gesto do Luciano;

Ficamos um bom tempo no cume, tiramos muitas fotos, conversamos bastante e trocamos experiências de montanha com nossos novos amigos — ou, como diz o querido Oswaldo Vivas: “melhores amigos que ainda não conhecíamos”.

 

Depois de nos alimentar, iniciamos a descida, já sabendo que não seria fácil. Havia ainda um agravante: nossa água tinha acabado.

Descemos todos juntos:

Luís, Lucas e eu,

Luciano, Oswaldo, Isaías, Marcos e o restante da turma.

A descida exigiu muita cautela. Em vários pontos foi necessário o uso de cordas e até rapel. 

 

 A sede começou a apertar e não havia nada ali que pudesse nos ajudar.

Foi então que me lembrei de uma conversa que tive com o Luís dias antes, sobre a água da chuva acumulada nas bromélias. Olhando ao redor, percebemos que o caminho estava repleto de bromélias gigantes. Paramos e fomos verificar.

Mais uma bênção de Deus naquele dia.

Havia água — e não era pouca. Em uma única bromélia era possível encher duas garrafas de 500 ml, água limpa e fresca, já que havia chovido no dia anterior. A alegria foi imensa. A partir dali, tivemos água em abundância até o final da trilha. Acredito que, ao todo, conseguimos cerca de 10 litros de água das bromélias ao longo do caminho.

Lucas e uma das Bromélias salvadoras

Descida após descida, seguimos juntos e, já quase no escuro, chegamos ao final da trilha. Cansados, sim — mas com a certeza de que aquele havia sido um dos melhores dias de nossas vidas.

Caminhamos pela BR até o carro e ainda tivemos a honra de dar carona aos nossos amigos. Fomos até Guapimirim, onde ficamos mais um tempo conversando e tomando uma boa cerveja.

Encerrando este relato, agradeço primeiramente a Deus, por tantas bênçãos nesse dia.

Agradeço ao meu filho Lucas e ao meu irmão Luís, pela companhia de sempre.

Agradeço imensamente ao Luciano, por ter voltado para nos ajudar.

Ao Oswaldo Vivas (do canal Programa Cidadão Natureza) e ao seu filho, ao Isaías, ao Marcos e a todos pela parceria.

Montanha é isso: desafio, humildade, amizade e gratidão.

Por: Josimar Cubis

Mais algumas fotos: 

 











Guapimirim ,visto do cume do Escalavrado

Rio De Janeiro Capital ,visto do cume do Escalavrado