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sábado, 27 de abril de 2024

Escalavrado - Serra dos Orgãos - RJ - 27 de Abril de 2024

 

Depois de três dias de travessia e de uma noite de descanso, chegou a hora de mais montanha.

Dessa vez, o escolhido foi o Escalavrado, imponente montanha ao lado do Dedo de Deus. Desde 2015, quando passamos pela BR-116 e vimos esse conjunto de montanhas, nasceu a vontade de escalar nessa região. Depois de 10 anos sonhando, finalmente chegou o dia.


Acordamos cedo, tomamos café da manhã em uma panificadora e, sem demora, partimos para o início da trilha. Após cerca de 30 minutos caminhando pela beira da BR, chegamos à entrada, que já nos primeiros metros se mostrou desafiadora: subidas muito íngremes e bastante exposição.

Caminhamos cerca de 15 minutos até chegar ao primeiro grande desafio: atravessar de um lado ao outro de um trecho horizontal, com um precipício logo abaixo. Para nossa sorte, encontramos um grupo que também estava subindo o Escalavrado. Sem hesitar, ofereceram ajuda e usamos a corda deles para vencer esse obstáculo. Pessoal extremamente gente boa, cariocas de Guapimirim. Boas conversas, e acabamos nos juntando a eles na subida.

 

 

Por cerca de uma hora conseguimos acompanhá-los, mas o ritmo deles era mais forte que o nosso e logo seguiram à frente.

Um passo de cada vez, uma subida por vez, fomos vencendo os desafios. Ao nosso lado já era possível ver a outra face do Dedo de Deus, montanha que ocupa o topo da nossa lista de sonhos. Seguimos subindo, porém cada vez mais lentos: subida muito forte, calor intenso e percebemos que estávamos com pouca água, o que nos obrigou a racionar.


Em vários trechos era necessário o uso de cordas, tornando a progressão ainda mais cansativa e lenta. Sabíamos que o desafio ainda estava longe do fim, pois as partes mais expostas e difíceis ainda estavam por vir.

Foi então que vimos um montanhista descendo a montanha. Para nossa surpresa, era o Luciano, de Guapimirim, o mesmo que encontramos no início da trilha.

O que aconteceu em seguida foi, sem exagero, um dos gestos mais incríveis que já presenciei em todos os meus anos de montanhismo.

O Luciano já estava quase no cume, mas ficou preocupado conosco e decidiu voltar para nos ajudar. Que ser humano iluminado Deus colocou em nosso caminho. Com extrema atenção e paciência, ele nos conduziu pelos trechos mais difíceis, sempre com um cuidado especial com o Luquinhas. Emprestou equipamentos, deu dicas valiosas e, de subida em subida, de corda em corda, fomos vencendo os obstáculos.

Luciano guiando o Lucas

Mais à frente, reencontramos o restante do grupo do Luciano. Todos foram extremamente atenciosos conosco. E assim, depois de cerca de 5 horas, conseguimos chegar ao cume do Escalavrado.


As lágrimas vieram aos olhos. Uma mistura de sentimentos:

— Acima de tudo, gratidão a Deus por viver aquele momento ao lado do meu filho Lucas e do meu grande amigo e irmão Luís. 

— alegria por finalmente estar ali depois de tantos anos sonhando;

— profunda gratidão pelas pessoas incríveis que encontramos no caminho;

— admiração pelo gesto do Luciano;

Ficamos um bom tempo no cume, tiramos muitas fotos, conversamos bastante e trocamos experiências de montanha com nossos novos amigos — ou, como diz o querido Oswaldo Vivas: “melhores amigos que ainda não conhecíamos”.

 

Depois de nos alimentar, iniciamos a descida, já sabendo que não seria fácil. Havia ainda um agravante: nossa água tinha acabado.

Descemos todos juntos:

Luís, Lucas e eu,

Luciano, Oswaldo, Isaías, Marcos e o restante da turma.

A descida exigiu muita cautela. Em vários pontos foi necessário o uso de cordas e até rapel. 

 

 A sede começou a apertar e não havia nada ali que pudesse nos ajudar.

Foi então que me lembrei de uma conversa que tive com o Luís dias antes, sobre a água da chuva acumulada nas bromélias. Olhando ao redor, percebemos que o caminho estava repleto de bromélias gigantes. Paramos e fomos verificar.

Mais uma bênção de Deus naquele dia.

Havia água — e não era pouca. Em uma única bromélia era possível encher duas garrafas de 500 ml, água limpa e fresca, já que havia chovido no dia anterior. A alegria foi imensa. A partir dali, tivemos água em abundância até o final da trilha. Acredito que, ao todo, conseguimos cerca de 10 litros de água das bromélias ao longo do caminho.

Lucas e uma das Bromélias salvadoras

Descida após descida, seguimos juntos e, já quase no escuro, chegamos ao final da trilha. Cansados, sim — mas com a certeza de que aquele havia sido um dos melhores dias de nossas vidas.

Caminhamos pela BR até o carro e ainda tivemos a honra de dar carona aos nossos amigos. Fomos até Guapimirim, onde ficamos mais um tempo conversando e tomando uma boa cerveja.

Encerrando este relato, agradeço primeiramente a Deus, por tantas bênçãos nesse dia.

Agradeço ao meu filho Lucas e ao meu irmão Luís, pela companhia de sempre.

Agradeço imensamente ao Luciano, por ter voltado para nos ajudar.

Ao Oswaldo Vivas (do canal Programa Cidadão Natureza) e ao seu filho, ao Isaías, ao Marcos e a todos pela parceria.

Montanha é isso: desafio, humildade, amizade e gratidão.

Por: Josimar Cubis

Mais algumas fotos: 

 











Guapimirim ,visto do cume do Escalavrado

Rio De Janeiro Capital ,visto do cume do Escalavrado









 

sexta-feira, 26 de abril de 2024

Travessia Petrópolis / Teresópolis - 24, 25 e 26 de Abril de 2024


Mais uma viagem, mais um sonho antigo realizado


Mais uma viagem, mais um sonho antigo: realizar a travessia Petrópolis / Teresópolis.

Saímos à noite de Araucária: Luís e sua esposa Rosângela, eu e meu filho Lucas. Viajamos a noite toda e chegamos por volta das 10h em Petrópolis. Ainda deu tempo de conhecer alguns dos principais pontos turísticos dessa cidade tão histórica: a Casa de Santos Dumont, a igreja onde está sepultado Dom Pedro II e a Casa da Princesa Isabel.

 

Local: Parque Nacional da Serra dos Órgãos – RJ

Travessia: Petrópolis → Teresópolis

Duração: 3 dias

Participantes: 3 (Josimar, Luís, Lucas)

Sentido: Petrópolis → Teresópolis

Pernoites: Castelos do Açu / Pedra do Sino

Clima: Instável, com neblina e nuvens baixas principalmente no 2º dia

Nível geral: Difícil

Exposição: Alta em alguns trechos

Autossuficiência: Total

 

Dia 1 – Base Petrópolis → Castelos do Açu

     
  • Distância: ~6,5 km
  • Tempo de caminhada: ~7h30
  • Desnível positivo: ~1.200 m
  • Altitude máxima: ~2.245 m
  • Terreno: Trilha em mata fechada, subida contínua e íngreme
  • Dificuldade: Alta (esforço físico)

Partimos bem cedo para iniciar a travessia. Seguimos apenas eu, Luís e Lucas.

Antes das 9h já estávamos na trilha, rumo ao primeiro objetivo: o Castelo do Açu.

O início é marcado por bastante área de mata, até que começam as subidas — longas… aliás, bem longas. Depois de horas de esforço, finalmente chegamos ao alto e passamos a caminhar pelos cumes das montanhas. 

 

Somente por volta das 16h30 alcançamos o abrigo do Castelo do Açu.



 

Conversamos um pouco com os guarda-parques, exploramos as redondezas e decidimos não montar barraca. Optamos por dormir sob uma pedra gigante que forma um tipo de abrigo natural. Foi fácil preparar o local: bastou retirar algumas aranhas e escorpiões, e pronto.

Preparamos uma bela janta e, sem demora, fomos dormir. 

 

Dia 2 – Castelos do Açu → Portais de Hércules → Pedra do Sino

  • Distância total: ~9 km (ida aos Portais incluída)
  • Tempo de caminhada: ~9 a 10h
  • Desnível acumulado: Alto (subidas e descidas constantes)
  • Altitude máxima: ~2.275 m
  • Terreno: Campos de altitude, rocha exposta, trechos técnicos
  • Dificuldade: Muito alta
  • Exposição: Alta

 

Acordamos bem cedo para ver o nascer do sol, que foi simplesmente incrível. Dali é possível ver as famosas montanhas da Serra dos Órgãos: Dedo de Deus, Escalavrado, Agulha do Diabo, entre outras.

Após um bom café da manhã, mochilas nas costas e seguimos caminho. Cerca de duas horas depois, chegamos à bifurcação que leva aos Portais de Hércules, local conhecido por ter uma das vistas mais bonitas da serra. Foram mais de uma hora de descida até finalmente chegarmos à beira do precipício.

Infelizmente, o tempo fechou bastante. Havia muita neblina e nuvens baixas, e pouco conseguimos ver. Ainda assim, o pouco que apareceu já deu para perceber o quão lindo é o lugar.

Voltamos para a trilha principal e seguimos o dia, pois ainda havia muita caminhada pela frente. O tempo fechou ainda mais; em alguns momentos, não dava para enxergar nem cinco metros à frente. Com muita cautela, fomos vencendo os desafios entre subidas e descidas.

Chegamos então ao famoso trecho do “Cavalinho”, onde é preciso escalar uma rocha e ficar praticamente montado nela para vencer a passagem. Com cuidado e calma, superamos o obstáculo.

Já perto das 17h, chegamos ao abrigo da Pedra do Sino. Montamos a barraca em um local bem tranquilo, ligamos para a família, jantamos novamente muito bem e fomos descansar.

 

Dia 3 – Pedra do Sino → Base Teresópolis 

 

  •  Distância: ~11 km
  • Tempo de caminhada: ~7h a 8h
  • Desnível negativo: ~2.000 m
  • Terreno: Trilha bem marcada, descida longa e contínua
  • Dificuldade: Média (fisicamente desgastante)

Acordamos cedo e, em consenso, decidimos subir até o cume da Pedra do Sino para tomar café da manhã lá em cima — e foi a melhor decisão possível.

O visual estava espetacular. Conseguimos ver praticamente todo o percurso feito nos dias anteriores. Ficamos ali por um bom tempo, tirando fotos e aproveitando o momento.

Depois, descemos para desmontar a barraca e iniciar a longa caminhada rumo a Teresópolis. Achávamos que seria uma descida rápida… tranquila até foi, mas rápida nem um pouco. Parecia não ter fim.

Foram inúmeras curvas e descidas. Levamos cerca de cinco horas ou mais até chegar à base do Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Dali, ainda encaramos mais duas horas de descida até finalmente chegar à base de Teresópolis

 

Travessia concluída com sucesso. Graças a Deus.


Ainda precisamos aguardar um Uber, que nos levou de volta a Petrópolis, onde estavam a Rosângela e nosso carro. Chegamos já quase à noite, pegamos nossas coisas no apartamento e seguimos para Teresópolis, pois no dia seguinte ainda teríamos mais aventuras pela frente.

Por: Josimar Cubis 

Mais algumas fotos: